Hanói/Hanoi

Hanói

Então, finalmente chegamos a Hanói. Este post está 3 semanas atrasado e pedimos desculpa. Estávamos ocupados, sabe, viajando e bebendo. Mas para ser realmente honesta aqui, eu tive sentimentos mistos sobre o lugar então levou um tempo para que eu ficasse a fim de escrever sobre ele. Eu tive que digeri-lo. Agora sente, relaxe e abra uma garrafa ou lata de uma boa cerveja e vamos nessa. Escrevo em um hotel barato perto da estação de ônibus de Da Nang, tomando uma Bière Larue, mas logo chegaremos aqui. As prioridades em primeiro lugar. Hanói é a bola da vez.

Deixamos Nova York depois de 2 semanas de comilança e bebedeira e de curtir a nossa família ao máximo. Decidimos pegar o trem para o aeroporto e tínhamos opções para economizar. De Manhattan dá para pegar um táxi por 50 dólares, um trem na Penn Station por 14 ou metrô e trem por 7. Como somos mãos de vaca, optamos pela última alternativa. Após uma frenética arrumação de malas de último segundo, partimos temendo perder o voo. Clássico. Pegamos o trem J em Washington Square em direção a Howard Beach (2.25 dólares) e depois o Airtrain por 5 dólares. Fácil, rápido e barato. Embarcamos num voo da Aeroflot em direção a Moscou, onde tivemos uma parada de 8 horas. Moscou é uma das cidades mais caras do mundo e mesmo assim descolamos um chope de Сибирской Короне (Coroa Siberiana) por 120 rublos, ou 4 dólares, e por se tratar de um aeroporto, achamos que não foi tão caro assim. Depois de tentar aprender a dizer por favor e obrigad@ em russo, partimos em direção a Hanói. Ou Hà Nội.

Chegamos exaustos, famintos e de olhos bem abertos. Iniciamos nossa saga para encontrar o ônibus para a estação de Long Bien, para onde a nossa couchsurfer nos disse para ir. Ela nos disse também que a passagem deveria custar 5.000 Dongs, ou mais ou menos 0,25 dólares. Daí começou. O que nos demos conta de que iria acontecer durante toda a nossa estadia no Vietnã (e provavelmente em boa parte do sudoeste asiático) acabara de tomar forma: pessoas tentando nos passar a perna e cobrar 100000x mais do que o preço normal. Mas estávamos prontos! Somos viajantes de carteirinha! Pelo menos era o que pensávamos. Nos disseram  que não tinha nenhum ônibus número 17 e que teríamos que pegar um táxi ou ônibus turístico por 15 dólares. Ah, tá. Cansados e frustrados, batemos o pé e dissemos não e fomos à procura do bom e justo ônibus 17. Depois de falar com umas 5 pessoas e andar de lá pra cá por uns 40 minutos, encontramos! Tivemos que atravessar uma passarela e o 17 estava lá, escondidinho, longe dos turistas. Éramos os únicos estrangeiros no ônibus. Estávamos felizes!

O Vietnã é um país louco. No bom sentido. Assim que o motorista pisou no acelerador, fomos engolidos por um turbilhão frenético e aventuresco. Ele dirigiu em alta velocidade, virando e deixando os passageiros embarcarem sem pisar no freio uma vez sequer e deixando eles desembarcarem da mesma maneira e gritando e sendo maluco. As janelas estavam cobertas de poeira e quando olhávamos para fora era difícil dizer se estávamos sonhando ou se era realidade. Estávamos realmente ali? Rapidamente nos demos conta dos campos de arroz e velhinhas usando o chapéu vietnamita e pessoas guiando bicicletas e motos carregando famílias de 4 ou 5 usando máscaras. Tudo parecia surreal e insano. Que sentimento bom.

Quando descemos na estação de Long Bien, tivemos que pegar um táxi. Nossa host morava do outro lado do Rio Vermelho. Para a nossa surpresa, conseguimos uma tarifa justa no táxi, mas o nosso motorista estava gargalhando sem nenhum pudor da nossa cara falando coisas em vietnamita que achamos que poderia ter sido mais ou menos: vocês têm idéia de onde estão? Não tem nenhum hotel aqui! Rimos de volta, falamos tchau e nos perdemos. Era um labirinto de ruelas e demos voltas nele como retardados. Era difícil de compreender. Nem mesmo os nativos conseguiam nos dizer onde ficava a casa dela. Chegamos lá e fomos acolhidos por uma vietnamita e pelo seu namorado Americano. Mais tarde fomos a um encontro de couchsurfers no Old Quarter e estávamos completamente bêbados de cansaço. Depois do encontro, insistimos que precisávamos de pho. Era quase 1 da manhã e os estabelecimentos estavam fechando. Compramos um pão ao vapor com carne de porco e ovo de codorna dentro. Era tão fofo e quentinho que eu queria dormir nele. Encontramos uma senhora simpática sentada na esquina de um beco e compramos uma tigela de pho. Eu então dei início ao  processo de agir como uma besta e mordi um pedação de pimenta que estava tão forte e ardida que eu tive que cuspir. Era tarde demais. Minha língua estava em brasa e minha cara pegando fogo. Eu achei que iria morrer. Eu não tinha intenção nenhuma de mascarar meu sofrimento e fingir que estava tudo bem. Todo mundo percebeu. Minha boca aguou mas eu consegui me controlar e não vomitar. No final eu estava rindo e meu nariz estava escorrendo. Eu estava totalmente acordada!

Os outros 4 dias foram um tanto estranhos. Estávamos com um jetlag danado, dormindo mal e estava fazendo frio e chovendo. Atravessar a rua em Hanoi faz com que você quase cague nas calças. E também faz com que você se sinta vivo e com uma nova perspectiva sobre a vida quando se chega ao outro lado. Você poderia ter morrido 15 vezes em 30 segundos, mas não morreu e precisa de uma cerveja. Bia é cerveja em vietnamita. E Bia Ha Noi tornou-se arroz e feijão durante a nossa estadia. Leve mas saborosa. Halida era muito similar, marcante e refrescante. Todas as cervejas que experimentamos até agora têm um perfil de sabor muito parecido. Aqui bebem-se as lagers e este foi o estilo de cerveja que encontramos até agora.

O nosso lugar favorito foi a rua do frango. É uma ruazinha onde, você adivinhou, vende-se frango. Mas não do tipo com o qual você está acostumado. É um circo de horrores granjeiro incrivelmente delicioso. Pés, vísceras, asinha e coxa. Infelizmente, não tinha coração… Que pena… Churrasquinho de tudo de frango! E é super barato. O nome real da rua é Pho Ly Van Phuc e se você não prestar atenção é fácil passar por ela sem perceber. Se você nunca esteve num país de terceiro mundo, as violações do código de saúde e sanitário podem fazer com que você dê meia volta, mas não seja tímid@. Sente-se a proveite. A nossa barraquinha favorita foi a última do lado direito. Menores de idade com cigarros na boca vão churrasquear para você fodásticamente. Trarão também jacatupé fatiado com sal e pimenta vermelha, pepinos e espinafre de água em conserva. O melhor acompanhamento, a estrela do espetáculo, é sem nenhuma dúvida o pão na grelha. Tão doce e crocante que você vai se viciar. Não passamos mal depois de comer lá. Voltamos para comer mais! Atravessar a ponte de Long Bien a pé foi apavorante e divertido. É tão estreita e as placas de concreto não são fixas e por isso são instáveis. Tem uma ilha no meio do rio onde é contra a lei construir o que quer que seja, então as pessoas plantam bananas e verduras. Em cima da ilha, na ponte, tem vendedores de jaca e peixe vivo. É um espetáculo!

A comida em Hanói não foi das melhores. Na nossa opinião as pessoas nos pareceram rabugentas e amargas, mas pode ter sido por causa do clima. Mesmo assim econtramos um lugar com um pho delicioso. O nome é Pho Thin (13 Pho Lo Duc | Hai Ba Trung District, Hanoi, Vietnam) e eles têm uns panelões imensos de caldo. O lugar está sempre lotado de vietnamitas, então dá pra saber que é muito bom. Custa em torno de 35.000 dong (U$1,70). Pode ser que tenhamos pago o imposto do turista, mas não dá pra ter certeza. Eu acho que foi legítimo. Outro lugar para experimentar é o do arroz grudento, ou Xôi. Fomos no Xôi Yen (35B Nguyen Huu Huân), perto do Lago Hoan Kiem. Compramos um prato de arroz com milho e algo similar a polenta com porco assado com canela. Foi servido com pepino num molho de vinagre com chili. Some uma Bia Ha Noi e você terá uma refeição dos deuses. Coloque um pouco de molho de peixe e de pimenta a cada colherada para dar uma apimentada.
Em geral, Hanoi foi um bom lugar para se visitar, mas sabíamos que poderíamos encontrar coisa (e comida) melhor. Nós ficamos com uma couchsurfer por 4 dias lá e a acomodação foi tradicional vietnamita: cama de madeira com uma esteira de bambu. Por isso na última noite antes de irmos para Hai Phong nós decidimos ficar em um hotel para ter uma boa noite de sono. Devo confessar que Hanói foi um tanto decepcionante. A comida foi boa, mas não tão boa quanto esperávamos. O Old Quarter é uma loucura e cheio de gente, e pode-se encontrar uns americanos velhos, veteranos da guerra, explorando mocinhas vietnamitas. Eles as chamam de “dicionários de cabelo comprido”, o que eu acho muito degradante. Aposto que Hanói no verão é uma cidade diferente, e talvez eu até volte para conferir. O Vietnã é mais, bem mais do que apenas Hanói.
Hanoi
So we finally got to Hanoi. This post is almost 3 weeks overdue and we do apologize. We have been busy, you know, traveling and drunk. But to be really honest here, I had mixed feelings about the place, so it took me a while to feel like talking about it. I had to digest it. Now sit back, relax, crack open a bottle or can of good beer and let’s get down to it. As I write, I am sitting at a cheap hotel by the bus station in Da Nang, drinking a cold Biere Larue, but we will get to that soon. First things first, Hanoi.
We left New York after 2 weeks of eating and drinking and enjoying our family to the fullest. We decided to get the train to the airport and there are ways to save to get there. From Manhattan you can get a taxi for 50 bucks, a train at Penn Station for around 14 or the subway and a train for 7. Being the cheap bastards that we are, we got the last option. And after a frantic last second packing session, we left fearing we would miss our flight. Classic. We got the J train at Washington Square towards Howard Beach ($2.25) and then the Airtrain for $5. Easy, fast, cheap. We boarded an Aeroflot flight to Moscow, where we had an 8 hour layover. Moscow is one of the most expensive cities in the world, yet we were still able to find a delicious pint of Сибирской Короне (Siberian Crown) for 120 Russian Rubles, or $4, which we thought was not bad for an airport. After trying to learn how to say please and thank you in russian, we headed to Hanoi. Or Hà Nội.We arrived exhausted, hungry and eyes wide open. We began our saga to find the bus to Long Bien station, where our couchsurfer told us to go. She also told us the fare should be 5.000 Vietnamese Dong, or roughly $0.25. So it begins. What we came to realize would be happening during our whole stay in Vietnam (and probably a great part of SE Asia) had just taken place: people trying to dupe you and charge 100000x more than what things should be. But we were ready! We are travel savvy! Or so we thought. They told us there was no bus 17 and that we had to take a cab or tourist bus for 15 dollars. Yeah right. Tired and upset we stood firm and said no and initiated the search for the nice and fair bus 17. After talking to probably 5 people and walking around for around 40 minutes, we got it! We had to walk over a bridge and the 17 was hidden down there, away from all the tourists. We were the only foreigners on the bus. We were happy.

Vietnam is a crazy country. And we mean it in the best of ways. As soon as the bus driver hit the gas we were taken away in a frenetic adventure. He drove really fast, swerving and picking up passengers without ever hitting the breaks and letting people off the same way and yelling and being nuts. The windows were caked in dirt and when we looked outside it was hard to tell if we were dreaming or if it was reality. Were we really there? We quickly spotted rice fields, and old ladies wearing the Vietnamese hat and people riding bicycles and motorbikes carrying families of 4 to 5 wearing face masks. It all felt surreal and insane. It felt good.

When we got off at the Long Bien Station, we had to get a cab. Our host lived on the other side of the Red River. Surprisingly we got a good deal on our cab fare, but our driver was shamelessly cracking up at us and saying stuff in Vietnamese that we guessed might have gone along the lines of: do you even know where you’re at? There are no hotels here! We laughed back, waved goodbye and got lost. There was an alley maze and we were going around it like retards. It was hard to figure it out. Not even the locals could tell us where her house was. We made it and were welcomed by a Vietnamese girl and her American boyfriend. Later that night we went to a couchsurfing meeting in the Old Quarter and we were so royally out of it. After that, we insisted we needed pho. It was almost 1 in the morning and places were closing up. We got some steamed buns with pork and a quail egg in it and I wished I could sleep on it. We found a nice lady sitting on the corner of an alley and got a bowl of pho. I then proceeded to make a fool out of myself by biting down on a huge piece of chili that was so spicy I had to spit it out. It was too late. My tongue was burning and my face was on fire. I thought I was going to die. I had no intention of playing it off and being cool about it. Everyone knew I was suffering. My mouth watered but I managed not to puke. When it was all over, I was laughing with a runny nose. I was fully awake!

The next 4 days were quite weird. We were jetlagged, not sleeping a whole lot and it was cold and rainy. Crossing the streets in Hanoi almost makes you shit your pants. It also makes you feel alive and you have a new perspective on life when you get to the other side. You could have died 15 times in 30 seconds, but you are alive and you need a beer. Bia is beer in Vietnamese. And Bia Ha Noi became a staple during our stay. Light but flavorful. Halida was really similar, crisp and refreshing. All the beers we’ve had so far have a pretty similar taste profile. They drink mostly lagers here, and that’s all we’ve found so far.

Our favorite place was chicken street. It’s a little street where, you guessed it, they sell chicken. But not the kind you are used to. It’s an amazingly tasty chicken freak show. Feet, innards, wings and thighs. No hearts though… Bummer… Barbecued chicken everything!! And it’s cheap. The street is actually called Pho Ly Van Phuc and you might easily miss it if you are not paying attention. If you have not been to a 3rd world country before, the health code violations may steer you off, but don’t be shy. Sit down and enjoy. Our favorite place was the last one on the right. Underage kids smoking cigs will barbecue your chicken like badasses. They will also bring sliced jicama with a side of chili salt, cucumbers and pickled morning glory. But the star side dish is definitely the pressed bbq bread. It’s sweet and crispy and you will be addicted. We did not get sick from eating there. We came back for more!

Crossing the Long Bien bridge by foot was scary and fun. It’s so narrow and the concrete plates are not well positioned so they are wobbly. There is an island in the middle of the river where it is outlawed to build anything, so people grow bananas and leafy greens. Right by it, on the bridge, people sell jack fruit and live fish. It’s quite a sight!

Hanoi food is not the best. We found people there to be grumpy and bitter, but maybe it was just the weather. We did find a nice pho place and it was incredible. It was called Pho Thin (13 Pho Lo Duc | Hai Ba Trung District, Hanoi, Vietnam) and they have huge pots of broth. The place is packed with locals, so you know it’s good. It costs about 35.000 dong ($1,70). We may or may not have paid tourist tax on that. I think it was legit. Another place to try is the sticky rice place, or Xôi. We went to a place called Xôi Yen (35B Nguyen Huu Huân), not far from the Hoan Kiem lake. We got one with corn and something similar to polenta served with cinnamon braised pork. It was served with a side of quick pickled cucumber in a chili sauce. Add a Bia Ha Noi to that and you’ve got yourself a delicious meal. Add some fish sauce and chili sauce to every bite for an extra kick.
Overall, Hanoi was a good place but we knew that we could find better food. We couchsurfed for 4 days there and had traditional Vietnamese accommodations: a hard bed with a bamboo mat. So on our last night before heading to Hai Phong we decided to stay at a hotel for a good night’s sleep. I had to confess that Hanoi was a bit disappointing. The food was good, but not as good as I would have expected it to be. The old quarter was busy and crazy, and you could find some old American war vets exploiting young Vietnamese girls. They would call them, fondly, their “long hair dictionaries”, which I find quite degrading. I bet Hanoi in summertime is a different city, and I just might go back and check it out, for the fun of it. Vietnam is way, way more than just Hanoi. 
 
 

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